Trabalho & Finanças

O mercado de trabalho e a mulher 40+

Já ouvi mil vezes a reclamação de mulheres que buscam emprego sobre a preferência por candidatas mais jovens, mesmo que haja diferença na experiência de ambas.
Paula, uma consultora de RH que preferiu não se identificar, concorda: “Tentamos negociar com o contratante, mas algumas vezes ele insiste em determinar o limite de idade. O mais comum, para mulheres é até 35/40 e para homens, 45. Mesmo que não saia impresso no anúncio, está lá na nossa ficha, e não nos resta alternativa a não ser eliminar os currículos de candidatos acima desta faixa etária. Mais frequentemente este limite é estabelecido pelo contratante do sexo masculino. A profissional mais velha às vezes é vista como mais inflexível, menos fácil de comandar, e muitas vezes não está tão atualizada quanto uma mais jovem. Também costuma ser uma profissional mais cara e mais exigente, por causa da experiência. Conseguimos sim, enviar mulheres mais velhas para processos seletivos, mas acontece com freqüência que a opção seja por uma candidata mais jovem. Mas também encontramos restrições por outros critérios: O mercado infelizmente, não vê com bons olhos a contratação de obesos, por exemplo. O motivo é mais simples: As empresas não estão preparadas para receber um funcionário com este tipo de limitação, por causa da falta de mobiliário ou instalações adequados.”.  Paula diz que a discriminação é fato, sim, e aparece muitas vezes na hora da contratação final, quando a vaga fica entre duas mulheres, uma mais jovem e outra mais velha. Mas é velada e raramente declarada, já que é sabido este tipo de atitude pode levar a um processo. “Já trabalhei no RH de empresas e já vi currículos serem filtrados pela idade do candidato. Quando a candidata era dispensada, a desculpa era sempre a qualificação. O que as mais velhas não sabem é que as mais jovens também sofrem discriminação, por terem filhos pequenos para cuidar, ou estejam planejando engravidar. Na verdade a faixa etária “ideal” da profissional do sexo feminino é muito estreita, de 30 a 38 anos, além dos salários médios serem mais baixos do que os dos homens”.
 Já há, no artigo 7 da Constituição, no Inciso XXX, “a proibição (….) do critério de admissão do trabalhador por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil”. Um projeto de lei, o nº 471/03, de autoria do deputado Davi Alcolumbre (PDT/AP), proíbe a veiculação de anúncios de empregos com limite de idade para os candidatos.
Confira o que diz Artigo 1º do Projeto: “Fica proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de emprego, ou sua manutenção, por motivo de restrições quanto à idade dos candidatos”. O projeto estabelece multa administrativa de dez vezes o maior salário pago pelo empregador e proíbe a obtenção de crédito junto a instituições financeiras oficiais pelas empresas que adotarem a prática. Segundo Alcolumbre, vedar o acesso ao emprego em razão da idade, por mero arbítrio da empresa, é desrespeitoso à dignidade do ser humano.
Só que para que se puna uma empresa discriminadora, seria preciso provar e elas, claro, nunca admitem o motivo.
Maria Cristina Maakaroun, publicitária e empresária, é extremamente realista:
“Ter 40 anos no mercado de trabalho é mais ou menos como um flagelo, pior que sofrer as sete pragas dos Egito. Colocar num currículo o ano de nascimento nos anos 60 é o mesmo que assinar o atestado de morte da possibilidade de utilizar no mercado de trabalho conhecimentos adquiridos por anos de experiência, muitos estudo, muitos diplomas de graduação, pós, doutorado e especializações. Basta colocar o ano de nascimento e a  condenação é certa, e mais ainda, se formos mulheres. Continuo estudando e aprendendo por não acreditar, não aceitar, e por não querer participar de grupos de grande idade, maior idade, ou outros nomes que dêem a esta faixa etária. Estou mais ativa do que nunca, trabalhando feliz e contribuindo com meus conhecimentos para um mundo melhor, em minha própria empresa, a Phi Desenvolvedora de Projetos.”
Algumas empresas rejeitam a discriminação:  Jeanine Costa Godoi é Gestora de RH da Ecoplan Engenharia, em Porto Alegre. “Sou responsável pelo recrutamento e contratação de novos colaboradores e em nenhuma situação até hoje a idade foi empecilho para contratação de mulheres. Em alguns casos, inclusive, existe a preferência por profissionais mais experientes e com mais idade. Não usamos este critério como discriminação, depende sempre do perfil exigido para cada cargo a ser preenchido. O mercado de trabalho atual está cada vez mais exigente, e as vagas existem. O que falta, pelo menos no segmento da minha empresa, é mão de obra qualificada. Por isso incentivo o meu pessoal a se atualizar, a ser criativo e altamente competitivo, independente da idade ou sexo. Tenho conseguidos resultados surpreendentes”.
Maria Bernadete Pupo é consultora de RH e autora do Livro “Empregabilidade acima dos 40 anos” da Editora Arte e Expressão. Em sua opinião, a discriminação depende muito do segmento e do nível do cargo pretendido. “Das três últimas empresas que prestei serviços (segmento da educação, advocacia e saúde), nenhuma delas faz restrição à idade. Contratamos mulheres desde o nível gerencial, assistente até o nível de operadora para a central de relacionamento, sem restrição”.
Fabricia Willmersdorf, sócia da RHWay, prefere conversar com seu contratante sobre o assunto: “Sempre converso com o cliente e peço para que eles, já que nos contrataram para realizar o processo, dêem um crédito de confiança para que busquemos o melhor perfil para a vaga oferecida. Quero a liberdade de poder captar e identificar talentos importantes, sem muitos rótulos, e na maioria das vezes consigo convencê-los, com algumas exceções é claro. Recentemente um cliente nosso aprovou para supervisora de vendas externas uma mulher de 47 anos e para compradora, uma mulher de 44 anos. Na verdade, inicialmente só queriam homens, mas conseguir convencê-los a entrevistar mulheres. Estas e outras vagas foram trabalhadas apenas entre março e maio de 2010.”
É mis difícil, mas não impossível. Paula orienta: “O profissional mais velho precisa se atualizar constantemente, e acompanhar o que há de novo em sua área de atuação, para não ficar para trás. Esteja sempre atento às novidades, leia bastante, participe de cursos e eventos, focando sempre em ampliar sua rede de relacionamentos pessoais e profissionais. Não descuide nunca da imagem pessoal. O mercado é mais exigente com as pessoas de mais idade, tanto na aparência como na postura e forma de se apresentar. E se você tiver provas de que foi discriminada por causa da idade, bote a boca no trombone: reclame e entre com um processo contra a empresa.”

SERVIÇO:
RHWay: www.rhway.com.br
PHI Desenvolvedora de Projetos:www.phiprojetos.com.br
Mercado Senior: www.mercadosenior.ning.com

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