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Beleza à venda

supermodelO mercado de moda e publicidade é amplo no Brasil. Modelos brasileiras são referência internacional de beleza, desfilando e fotografando para marcas renomadas, como por exemplo, Victoria Secrets. É uma carreira curta: Começa e termina cedo. Com exceção de pouquíssimas top models, a carreira de modelo não passa dos 30 anos.
O mercado consumidor, no entanto, é muito mais amplo do que isso. Mulheres de mais de 40 estão no auge das carreiras e capacidade de consumo, tendo muitas vezes, começado a pensar em si quando, finalmente, os filhos ficam adultos e independentes. Essas mulheres, de todos os tipos, tamanhos e raças, escolhem produtos em catálogos e propagandas “estreladas” por mulheres de metade da sua idade. “Como sei que esta roupa vai ficar bonita em mim, se não tenho este corpo, nem esta idade? Fico insegura de escolher um produto que diz que rejuvenesce, se a modelo já é linda e novinha!” comenta a leitora Debora Louma, de 49 anos. “Mesmo as marcas com produtos – moda e cosméticos, principalmente – adequados à minha idade, anunciam com modelos muito mais jovens.”
Lá fora, não é mais novidade. O mercado de modelos se abre para mulheres de mais de 40 anos. Saiu no Los Angeles Times: “Aumenta a demanda por modelos mais velhas. Um imenso mercado consumidor, de excelente poder aquisitivo, busca produtos vendidos por modelos com as quais sintam afinidade.” Uma das mais conhecidas agências americanas, a Wilhelmina Models, possui uma seção chamada de Sophisticated Models (modelos sofisticadas), onde só entram mulheres acima de 35 anos. A S Women Division trabalha com um grupo de mulheres acima de 24 anos, algumas acima de 40. Este departamento reflete o poder de consumo da mulher e a diversidade do mercado consumidor de hoje. Trabalhando com clientes como L’Oreal, Clairol, Target, entre outros, o departamento continua a crescer.  Beverly Johnson, modelo e atriz de 57 anos, é uma das mais requisitadas modelos da agência.
A Wilhelmina Models é também um dos patrocinadores do programa She’s Got the Look. Já em sua terceira edição, o programa é uma versão “next top model” para mulheres consideradas “velhas” para este tipo de trabalho. O objetivo do programa é encontrar mulheres lindas, sofisticadas e confiantes de mais de 35 anos, que tenham potencial para se transformar em modelos representantes de conceituadas marcas em campanhas de moda e beleza. Sean Patterson,shesgotpeq presidente da Wilhelmina Models, conta: “Desde a primeira edição, tivemos um número imenso de inscritas, de 35 a 72 anos. Não é surpresa que o programa seja um sucesso de audiência, pois as mulheres se identificam com as participantes. Estamos orgulhosos com o sucesso das ganhadoras das edições anteriores, que hoje trabalham para marcas como Hallmark, Toyota, Volvo, Microsoft e muitas outras. Provamos que beleza é atemporal: Estamos começando a seleção das participantes da 3ª edição, que estréia em 2010.”
No Brasil, o mercado é, infelizmente, extremamente resistente a mulheres mais velhas. Beth Leal, diretora da Army Agency (RJ), que conta com um time de lindas mulheres 40+ em seu cast, comenta que o espaço que há para esta faixa etária é na publicidade, no papel de mães ou avós. O mercado de beleza é muito restrito, mesmo que a mulher seja magra e muito bonita. “O Brasil é um país que privilegia a juventude. O Rio de Janeiro mais ainda, por ser cidade de praia. Os poucos eventos de moda que acontecem no Rio nunca usariam modelos mais velhas, mesmo para linhas mais adultas”.

Maria Rosa

Maria Rosa, dona da Fifty Models de São Paulo, criou a agência em 2008 só para modelos desta faixa etária: “Na verdade não somos agência, e sim um grupo de mulheres com mais de 45 anos que resolveu dar a volta por cima e mostrar que estas mulheres estão em plena atividade em todos os setores. Percebi na própria pele (tenho 51) que  a mulher após os 40 torna-se invisível para o mundo e, principalmente, para o mundo da moda e beleza.  Não há roupas adequadas ao seu corpo que se modifica e pede conforto mas também não  abre mão do que é fashion , bom e  bonito. A cosmetologia já vem dando ênfase à maturidade. No entanto, utiliza modelos-meninas para mostrar produtos voltados ao público maduro, o que é um despropósito. Infelizmente, a mulher da meia idade é a primeira a se esconder ,  como se o passar do tempo fosse um fato perturbador. Os anos vivenciados significam vida, saúde, experiência para todos nós. O tipo de cliente que busca esta profissional tem um perfil mais aberto e arrojado. O estilista Ronaldo Fraga que inovou e fez grande sucesso em recente Fashion Week com modelos da terceira idade. Alguns lojistas  preferem em razão do valor cobrado ser mais baixo, e a postura das modelos ser mais profissional. Há um ponto contra: São raros os cursos bons que formem modelos maduras. Nosso cast é formado por modelos com registro profissional.  Não é fácil “vender” estas modelos: O preconceito ainda é grande. Mas há esperança, Maria Rosa completa: “É um mercado novo, em expansão e bastante promissor. Aos poucos cresce a aceitação na mídia em geral,  nas revistas de grande circulação com modelos maduras.”  

Serviço:
Army Agency – Rio de Janeiro  – www.armyagency.com.br
Fifty Models – São Paulo – www.fiftymodels.com.br

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